Francisco Santolo: 'Nao associamos poder a responsabilidade e servico'

La Estrella de Panama / Yandira Nunez Naveda
Janeiro 2023

Francisco Santolo, CEO da Scalabl e reconhecido pela Forbes, compartilha no La Estrella de Panama sua visao sobre empreendedorismo, networking e o poder individual. Critica o modelo de venture capital e propoe uma abordagem baseada na escuta, na colaboracao e no financiamento com clientes. "Nao associamos poder a responsabilidade e servico", conclui.

<a href='https://www.franciscosantolo.com' style="text-decoration: none; color: inherit;" target="_blank" rel="noopener">Francisco <a href='https://www.franciscosantolo.com' style="text-decoration: none; color: inherit;" target="_blank" rel="noopener">Santolo</a></a>: 'Nao associamos poder a responsabilidade e servico'

Francisco Santolo, CEO da Scalabl, foi entrevistado pelo La Estrella de Panama em uma conversa profunda sobre sua visao que rompe velhos paradigmas do empreendedorismo. Santolo, reconhecido pela Forbes em 2017 como o "hacker das startups", cofundou mais de 50 empresas e ajudou a criar mais de 500 empreendimentos atraves da metodologia Scalabl, com operacoes em mais de 20 paises.

Sua abordagem surgiu a partir das novas metodologias que apareceram por volta do ano 2000. Em vez de buscar capital como primeiro passo, Santolo propoe comecar encontrando clientes para entender suas necessidades reais, conectar-se com outros atores para resolver problemas concretos e depois vender, financiando-se diretamente com os proprios clientes. E um modelo que inverte a logica tradicional do empreendedorismo.

Santolo cita Steve Blank e "The Lean Startup Method" como bases fundamentais do seu pensamento. O desenvolvimento de clientes deve se basear em hipoteses, nao em suposicoes. O foco deve estar em entender os desejos e dores do consumidor mediante perguntas abertas, sem assumir que ja se sabe o que o mercado precisa. Essa humildade diante do mercado e, segundo ele, a diferenca entre empreendedores que escalam e os que fracassam.

Sobre a America Latina e o Panama em particular, Santolo reconhece a desigualdade e os desafios sociais da regiao, mas ve oportunidades enormes para empreendedores. O Panama oferece estabilidade politica e economica, vantagens geograficas como hub de conexao entre continentes e uma estrutura tributaria conveniente para os negocios. "Os problemas sao oportunidades", afirma com conviccao.

Na entrevista, Santolo aprofunda a importancia do networking. O sucesso humano, sustenta, depende fundamentalmente dos demais. Os negocios requerem escutar ativamente e se relacionar com diferentes atores: clientes, fornecedores, aliados, mentores. "Nossas conquistas dependem dos demais", diz, desafiando a narrativa do empreendedor solitario que tudo pode.

Uma das secoes mais contundentes da entrevista e sua critica ao venture capital. Santolo argumenta que os governos latino-americanos copiam o modelo do Silicon Valley sem entende-lo em profundidade. As avaliacoes de startups se baseiam em expectativas futuras, nao em lucros reais. Os intermediarios financeiros lucram com comissoes, criando incentivos perversos que empurram as empresas para crescimentos irrealistas e muitas vezes insustentaveis.

Esse sistema, segundo Santolo, gera uma bolha onde o sucesso se mede pela quantidade de capital levantado e nao pelo valor real criado. As estatisticas mostram que a grande maioria das startups financiadas por venture capital fracassam, e no entanto o modelo continua sendo apresentado como o caminho ideal. Para Santolo, isso e um erro fundamental que prejudica especialmente os empreendedores de regioes emergentes.

Diante dessa realidade, Santolo propoe uma alternativa concreta: o crescimento empresarial sustentavel nao requer ser milionario. So se precisa de educacao empreendedora de qualidade, recursos emocionais para enfrentar a incerteza e ferramentas basicas de negocios aplicadas dentro de ecossistemas colaborativos. A tecnologia democratizou o acesso a quase tudo o necessario para empreender.

A conversa se amplia para uma reflexao mais profunda sobre o poder individual na era digital. Santolo observa que a sociedade moderna outorga aos individuos um poder sem precedentes gracas as ferramentas digitais. Qualquer pessoa pode criar conteudo, construir uma audiencia, lancar um produto ou mobilizar uma comunidade desde seu telefone. No entanto, as pessoas nao gerenciam esse poder de maneira responsavel.

"Nao associamos poder a responsabilidade e servico", conclui Santolo com uma frase que resume toda sua filosofia. O poder que a tecnologia nos da deveria estar acompanhado de um compromisso com os demais, com a comunidade, com o impacto positivo. Santolo defende um modelo de crescimento colaborativo que beneficie a todos, nao apenas os que estao no topo da piramide.

A entrevista encerra com um convite a repensar o empreendedorismo nao como uma corrida individual rumo a riqueza, mas como uma ferramenta coletiva de transformacao social. Para Santolo, o verdadeiro empreendedor e aquele que usa suas capacidades e recursos para resolver problemas reais, criando valor compartilhado no processo.

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