Com essa descoberta e a vontade de continuar estudando, dei um passo ao lado do mundo do jornalismo e decidi começar a pesquisar um tema que parece obscuro visto do lado do sucesso, mas que é verdadeiramente normal e humano. Fui percebendo, ao ler histórias de sucesso de empreendedores, inovadores, inventores e cientistas reconhecidos, que todos atravessam um processo de fracassos até chegar ao resultado final. E que, por menos bonito que seja esse processo, ele é necessário para chegar a um objetivo. Também compreendi que a sociedade havia carregado o sucesso de algo muito potente, que na verdade não era assim quando você chegava. E que havíamos carregado o fracasso de algo muito pesado, que tampouco era tão verdadeiro.
Agora, quão importante é fracassar? Quanto antes, melhor? Quando começamos a aprender a andar, ainda pequenos, não o fazemos sem antes cair dezenas ou centenas de vezes. O fracasso faz parte do nosso DNA e se reflete na infância. Cedo, é importante fracassar em temas que tenham a ver com o que buscamos e que, ao mesmo tempo, tragam aprendizado. Quanto mais você eleva a barra, quanto mais arrisca, mais chances tem de fracassar, mas isso trará conhecimento para aplicar no próximo projeto.
À medida que crescemos, a sociedade já não nos incentiva a fracassar para continuar aprendendo, sobretudo quando entramos no mercado de trabalho. O status quo faz com que esqueçamos todos os processos de aprendizado potencializados pelo fracasso que tivemos na infância. Esquecemos a experimentação, onde a falha não existe, já que não sabemos com certeza o resultado real. Nesses momentos de exploração, há situações em que o resultado obtido não é o que você esperava, mas está longe de ser um fracasso. No fim das contas, é um resultado, e a partir dele é preciso começar a medir ou a mover.
Se olharmos para Elon Musk e o que ele faz com suas empresas, vemos que arrisca com a Tesla, arrisca com a Neuralink, a SpaceX, e sem dúvida acumulou fracassos em cada uma delas, mas quando alcança algum dos objetivos, como fazer um de seus foguetes voltar, ele dá um salto evolutivo. É um exemplo claro de como, no mundo empreendedor, devemos promover a cultura de fracassar para inovar e crescer.
Entendo a evolução como pequenos saltos, e no meio desses saltos existe algo que chamo de "failvolution", essa experimentação e esses fracassos que fazem você repensar e agir rumo ao próximo pequeno salto evolutivo. Para que o famoso "momento eureka" apareça, você precisou passar por muitas etapas de failvolution. Por fora, parece que o sucesso vem da noite para o dia. O que muitos não veem são todos os fracassos do passado.
A "Failculture", uma metodologia para falhar e aprender a inovar e liderar que desenvolvi com a minha equipe, implica imaginar tudo o que pode atentar contra o seu projeto. Mas, uma vez que o projeto entra em andamento, começam a aparecer os pontos críticos que você não imaginou. Na próxima iteração do projeto, esses imprevistos já são contemplados.
O importante é que o medo do fracasso não nos detenha. Entendê-lo como parte do processo e nos animarmos a fazer as coisas que nos movem. Transformar o "e se tivesse acontecido" em "o que aconteceu?", e saber que sempre podemos voltar atrás.
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