Ha algo que aqueles de nos que lideram ou trabalham perto das PMEs sabem, mesmo que nem sempre consigamos colocar em palavras: Carlos Cleri descreve isso com precisao no Livro das PMEs.
Em uma PME, o humano e imediato, visivel e dificil de amortecer. Nao se esconde atras de uma postura corporativa. O que em uma grande organizacao se filtra por meio de estrutura, processos, avaliacoes e incentivos, em uma PME impacta diretamente na gestao cotidiana.
Por isso a proximidade pesa tanto. Os vinculos. As emocoes. As historias. As lealdades. A figura de quem lidera. E sua familia.
Nao porque as PMEs sejam necessariamente menos profissionais, mas porque funcionam com menos mediacoes. O que se pensa, se imagina, se sente ou se decide, aparece rapido no sistema e causa impacto.
Ai esta grande parte de sua complexidade e tambem de sua potencia. A magia dos sistemas humanos.
Por isso, aplicar teoria de negocios sem incorporar essa realidade humana ao processo poucas vezes funciona. Se em uma multinacional e essencial, em uma PME e absolutamente necessario.
Em uma PME: o emocional e o operacional se misturam o tempo todo, os papeis sao flexiveis, os problemas se propagam rapido e o estado de animo da lideranca define o tom do dia.
Quando alem disso se trata de uma empresa familiar, essa dinamica se intensifica. Convivem a logica economica e a afetiva, as expectativas do negocio e as da familia.
Nada disso e um defeito. E a realidade com a qual se faz gestao.
Por isso, transformar uma PME nao comeca apenas por processos, organogramas ou ferramentas. Comeca por escutar, observar e compreender.
Nas PMEs, o humano nao e um complemento. Cleri sustenta que e parte central do sistema operacional. E quando essa dimensao e reconhecida e trabalhada a partir dela, de forma integrada, as decisoes se ordenam e a empresa ganha perspectivas.