Networking não é acumular contatos: é construir e ativar capital social para tornar possíveis os sonhos — os nossos e os dos outros.
Networking é o processo consciente de construção e ativação do capital social: relações de confiança que nos permitem acessar informações, habilidades, recursos e redes ampliadas de outras pessoas para alcançar objetivos que, individualmente, seriam muito mais difíceis.
Não se trata de “contatos importantes”, mas de pessoas reais com sonhos reais — e da nossa disposição genuína para compartilhar, colaborar e ajudar.
Chamo de capital social a capacidade de acessar, por meio de outras pessoas, recursos que não controlamos diretamente: informações, habilidades, talentos, experiências e conexões.
Ele é poderoso porque amplia o que podemos realizar sem depender apenas do esforço individual. Muitas vezes acreditamos que nos faltam recursos. Na verdade, o que falta é uma rede que os viabilize — ou as conversas certas.
Todo resultado depende dos outros. Networking não é um complemento da carreira profissional; é uma alavanca central para:
Na minha experiência, networking serve principalmente para deixar de caminhar sozinho. Fomos ensinados a conquistar tudo por “mérito pessoal”, como se pedir ajuda fosse fraqueza. Aprendi que é exatamente o contrário.
Em novembro de 2013, enquanto cursava uma pós-graduação na Kellogg School of Management, participei de uma aula do professor Brian Uzzi sobre networking. Essa aula foi transformadora.
Ele propôs um exercício simples: cada pessoa compartilhou um sonho profundo. Em seguida, o grupo explorou como poderia ajudar.
O que aconteceu foi revelador.
Sonhos que pareciam distantes para uma pessoa
eram surpreendentemente simples para outra viabilizar
com uma ideia, um contato ou uma conversa.
Naquele dia entendi algo essencial: os outros têm as chaves para fazer uma grande diferença nos nossos sonhos — e nós temos as chaves para os deles. O problema é que raramente falamos desses sonhos em voz alta.
Esse exercício deixou três aprendizados que marcaram minha trajetória:
Saí daquela aula profundamente impactado. Não tinha um plano, mas tinha uma certeza: precisava fazer algo com aquele aprendizado.
Decidi realizar um experimento simples: tomar um café por dia com uma pessoa diferente.
Em cada encontro, fazia três coisas:
Contava a história da aula. Perguntava muito e escutava com atenção.
Sempre encerrava com a mesma frase:
“Deve haver algo que seja fácil para mim fazer e que faça uma grande diferença para você. Como posso ajudar?”
Sem cartões de visita. Sem pitch. Sem expectativa de retorno. Apenas oferecer valor.
As respostas vinham quase sempre ligadas a negócios: “Quero criar uma empresa”, “Quero fortalecer meu empreendimento”, “Quero lançar um produto”, “Quero avaliar minha empresa”.
Passei a dedicar horas todos os dias ajudando, sem pedir nada em troca.
Quatro meses depois, dois desses grupos de empreendedores me ofereceram 20% de suas empresas e me convidaram para ser sócio. Ali começou algo muito maior do que eu imaginava: a Scalabl®, hoje uma comunidade global presente em mais de 50 países.
Na minha primeira palestra TEDx, resumi essa ideia em uma fórmula simples:
Conquistas = (Habilidades + Recursos) × Perseverança × Capital Social
Se qualquer um desses fatores for zero, as conquistas se tornam impossíveis.
Essa fórmula também é uma forma de pensar estrategicamente. Quando algo não avança, é possível atuar sobre um desses fatores. Muitas vezes acreditamos que o problema são os recursos, quando na verdade o que pode ser desenvolvido é o capital social.
Compartilho aqui minha pergunta (ela é poderosa):
“O que posso fazer que seja fácil para mim e faça uma grande diferença para você?”
Networking exige consistência. O capital social floresce com o tempo.
Convido você a escolher um sonho importante.
A pensar na sequência de conquistas que acredita precisar para alcançá-lo.
Agora pergunte-se:
E se esse sonho estivesse a apenas uma conversa de distância? Compartilhe seus sonhos e ative o poder multiplicador da sua rede.