Você consegue imaginar a história da nossa vida - passada, presente e futura - sem elas ou suas derivadas?
Pois elas não têm mais de 231 anos.
Os restos mais antigos do homo sapiens -nossa espécie- datam de 315 mil anos atrás.
As outras espécies humanas do gênero Homo, que foram assassinadas pela nossa, viveram por aproximadamente 1.500.000 anos - sim, um milhão e meio de anos -.
Sem querer gerar um debate econômico, social ou político com estas palavras, deixe-me reforçar um ponto e refletir brevemente sobre ele:
Vivemos por pelo menos 1.499.769 anos sem estes conceitos ou construções humanas para descrever nossa realidade e nos organizar.
Yuval Noah Harari, no seu livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, descreve que aquilo que nos distingue e eventualmente fez com que nos “impuséssemos” sobre outras espécies, é a possibilidade que temos de nos coordenar e trabalhar em conjunto de forma intencional por um objetivo. Mas o mais interessante é a explicação de onde essa virtude foi gerada: por causa da nossa capacidade de falar do que não existe.
Ao transmitir a visão de um futuro desejado e afirmar com “certeza” ou credibilidade que certas ações nos levarão até ele, exercemos a influência nos nossos pares conseguindo seu apoio, seu trabalho, seus recursos e até mesmo seu sacrifício.
Mas, para começar a falar do que não existe, precisamos de palavras, novas palavras. As que são protagonistas deste artigo e suas derivadas, que hoje explicam e permitem projetar em grande parte a nossa realidade, surgiram há apenas 231 anos.
Insisto que existem infinitas vidas possíveis, infinitas construções sociais e maneiras de conviver ou coexistir, tantas como nossas palavras possam definir, habilitar sonhar ou imaginar.
O futuro, com todas as coisas positivas geradas pela nossa espécie - apesar de 315.000 anos de muita crueldade e nossa escolha de “nos impor” diante a diversidade -, abre pela primeira vez as portas para o impossível: tecnologias exponenciais, comunicações imediatas, horizontalidade na geração e no consumo do conhecimento e um indivíduo mais influente e poderoso do que nunca, impulsionado pelas comunidades.
Pergunto para mim mesmo, com nosso papel de protagonista hoje: Com quais palavras vamos escrever o futuro?